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A chegada do inverno traz temperaturas baixas, ar seco e, inevitavelmente, um aumento nas consultas pediátricas. Saber o que esperar — e quando agir — faz toda a diferença para a segurança do seu filho.
Gripes, resfriados, bronquiolites e laringite viral se tornam muito mais frequentes nessa época do ano. Os pais precisam estar preparados para identificar os sintomas certos, saber o que fazer em casa e, principalmente, reconhecer quando é hora de buscar atendimento médico.
Neste artigo, a pediatra Dra. Marina Arrais explica quais são as principais doenças respiratórias do inverno, como proteger seu filho e por que a vacinação é uma das ferramentas mais importantes dessa proteção.
Por que o inverno aumenta as doenças respiratórias nas crianças?
O frio em si não causa doença. O que acontece é que, com temperaturas baixas, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação — o que facilita muito a circulação dos vírus. Além disso, o ar seco resseca a mucosa nasal, que é uma das primeiras barreiras de defesa do organismo contra infecções.
Em crianças pequenas, esse efeito é ainda mais intenso porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e as vias aéreas são anatomicamente mais estreitas. Isso torna qualquer inflamação mais impactante. Por isso, bebês e crianças até 5 anos são os mais afetados durante o inverno.
As doenças mais comuns do inverno infantil
Conhecer as principais infecções da estação ajuda os pais a identificar os sintomas com mais clareza e agir com mais segurança. Abaixo estão as mais frequentes na pediatria durante o inverno.
Resfriado comum
É a infecção mais frequente entre crianças. Causado por vírus, costuma se manifestar com coriza, espirros, congestão nasal e, às vezes, febre baixa. Em geral, melhora espontaneamente em 7 a 10 dias com repouso e hidratação. Um ponto importante: resfriado não precisa de antibiótico — antibióticos não atuam sobre vírus.
Gripe (Influenza)
Diferente do resfriado, a gripe costuma ter início mais abrupto, com febre alta, dor no corpo, prostração intensa e sintomas respiratórios marcantes. Em crianças pequenas, pode evoluir para complicações como pneumonia — especialmente em menores de 2 anos. A vacina contra influenza é a principal forma de prevenção e deve ser feita anualmente.
Bronquiolite
Uma das doenças que mais preocupa nos bebês com menos de 1 ano. Causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), ela provoca inflamação nos brônquiolos — os menores tubos do pulmão — gerando dificuldade respiratória, chiado no peito e tosse intensa. Em casos mais graves, pode exigir hospitalização. Bebês prematuros, com cardiopatia ou doença pulmonar têm risco ainda maior.
Laringite viral
A laringite viral assusta pela tosse característica, que soa como um "latido de cachorro". É causada por vírus que inflamam a região da laringe, podendo provocar dificuldade para respirar e um som agudo ao inspirar, chamado de estridor. Casos leves costumam melhorar com ar frio e úmido, mas episódios mais intensos precisam de avaliação médica.
Pneumonia
Pode ser causada por vírus ou bactérias e geralmente surge como complicação de infecções que não melhoram como esperado. Os sinais incluem febre persistente, tosse, respiração rápida e dificuldade respiratória. O tratamento depende da causa e deve sempre ser orientado por um médico.
⚠️ Quando ir ao médico imediatamente
- Dificuldade para respirar, respiração muito rápida ou "barriga puxando" ao respirar
- Lábios ou extremidades com coloração arroxeada
- Febre (>37,5°C) em bebês menores de 3 meses, ou febre que não cede após 72 horas (3 dias)
- Prostração intensa, recusa alimentar ou dificuldade para acordar — especialmente nos momentos em que a criança estiver sem febre
- Chiado no peito persistente ou com piora progressiva
- Tosse com som de "latido" associada a dificuldade para respirar
A avaliação pediátrica no momento certo faz a diferença entre um quadro simples e uma complicação evitável.
O que fazer em casa durante o inverno
Quando os sintomas são leves, algumas medidas simples fazem diferença real no conforto e na recuperação da criança.
Hidratação frequente: ofereça líquidos regularmente — água, leite materno, sopas e caldos. A hidratação ajuda a fluidificar as secreções e protege as mucosas do ressecamento causado pelo ar seco.
Soro fisiológico nasal: a lavagem nasal com soro fisiológico é segura, eficaz e recomendada para desobstruir as vias aéreas. Pode ser feita várias vezes ao dia, especialmente antes de mamar e antes de dormir.
Ambiente com umidade adequada: evite correntes de ar diretas sobre o bebê, mas não feche o quarto completamente. Um umidificador de ar pode ajudar a manter a umidade entre 50% e 60%.
Evite aglomerações: em períodos de maior circulação viral, especialmente para bebês menores de 3 meses, evite ambientes fechados com muitas pessoas.
Não use medicamentos por conta própria: xaropes, descongestionantes e antibióticos sem prescrição podem ser prejudiciais em crianças pequenas. Consulte sempre um pediatra antes de medicar.
Vacinação: a proteção mais importante que você pode oferecer ao seu filho
Manter as vacinas em dia é um dos gestos de cuidado mais concretos que pais podem oferecer. O inverno é o momento ideal para conferir o cartão de vacinação do seu filho.
Vacina contra Influenza (gripe)
Recomendada anualmente para todas as crianças a partir dos 6 meses. A campanha ocorre em abril e maio — justamente antes do inverno. É uma das mais importantes para prevenir hospitalizações por gripe grave.
Vacina pneumocócica
Protege contra o Streptococcus pneumoniae, principal causa de pneumonia bacteriana, otite e meningite em crianças. Faz parte do calendário básico do SUS e das clínicas particulares.
Nirsevimabe (Beyfortus) — contra o VSR
Indicado para bebês de até 8 meses no início da temporada do VSR, ou até 24 meses para crianças de alto risco. Representa um avanço importante na prevenção da bronquiolite grave. Converse com a pediatra sobre indicação e disponibilidade.
Vacina contra COVID-19
Segura e eficaz para crianças, contribui para reduzir quadros respiratórios graves durante o inverno.
Se você tem dúvidas sobre quais vacinas seu filho já tomou ou quais estão em atraso, uma consulta pediátrica pode ajudar a organizar e atualizar esse histórico com segurança.
Prevenção no dia a dia: hábitos que realmente protegem
Além das vacinas, atitudes simples reduzem muito o risco de contágio. Lavar as mãos com frequência — especialmente antes de pegar o bebê no colo — é uma das medidas mais eficazes que existem. Evitar contato próximo com pessoas resfriadas, não compartilhar copos e talheres, e manter os ambientes ventilados quando possível são hábitos que fazem diferença real.
Para bebês, a amamentação oferece proteção imunológica importante e deve ser mantida sempre que possível. Ao sair de casa no frio, proteja o bebê com roupas em camadas, gorro e meias — para manter o conforto e a temperatura corporal adequados.
✅ Resumo para os pais
- O inverno favorece infecções porque as pessoas ficam mais em ambientes fechados
- As doenças mais comuns são: resfriado, gripe, bronquiolite, laringite viral e pneumonia
- Busque atendimento imediato se houver dificuldade respiratória, febre persistente ou prostração intensa
- A vacina da gripe deve ser feita todo ano — a campanha começa em abril/maio
- Hidratação, lavagem nasal e ambiente úmido ajudam no tratamento em casa
- Nunca medique a criança sem orientação médica
Pediatra em Curitiba
O inverno não precisa ser sinônimo de doença. Com prevenção adequada, vacinação em dia e atenção aos sinais do seu filho, é possível atravessar a estação fria com muito mais tranquilidade e segurança.
Se você está em Curitiba e tem dúvidas sobre a saúde do seu filho nessa época do ano — seja sobre vacinas, sobre sintomas que não melhoram ou sobre como se preparar para o inverno —, a avaliação pediátrica é sempre o melhor caminho. A Dra. Marina Arrais é pediatra e neonatologista em Curitiba, com atendimento especializado desde os primeiros dias de vida do seu bebê.
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